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Notícias do Trânsito

22/01/2008 - :
PRIMEIRO DIA DE FAIXA EXCLUSIVA PARA MOTOS

Scaringella: Em 10 anos, Código não saiu do papel Terça, 22 de janeiro de 2008, 14h18 Raphael Prado Reinaldo Marques/Terra Segurança ou fluidez? - Primeiro dia de testes da faixa exclusiva para motos na Avenida Vinte e Três de Maio, em São Paulo, causa lentidão no trânsito dos automóveis que passavam pela via No dia em que o Código de Trânsito Brasileiro completa 10 anos, a mais nova experiência da Prefeitura de São Paulo para melhorar a segurança do transporte na capital paulista completa 1 dia. Com críticas e elogios unânimes - por mais paradoxal que pareça. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) paulistana, com o objetivo de diminuir o número de acidentes com motociclistas nas ruas da maior metrópole da América do Sul, resolveu implementar um corredor exclusivo para motos numa das principais vias da cidade, a Vinte e Três de Maio. Ela forma, com outras duas avenidas, um corredor que liga a zona sul à zona norte de São Paulo. Motoqueiros adoraram - e aqui entra a parte dos elogios unânimes. A novidade, que tem apenas 2 km de extensão, permitiu que o tráfego na faixa exclusiva fosse rápido e tranqüilo, sem precisar se equilibrar entre os carros. Os donos dos automóveis, por outro lado, foram os críticos em unanimidade. Às 9h30 da manhã de ontem, um pico de 10,3 km de lentidão foi registrado na Vinte e Três de Maio. Na estréia da faixa exclusiva, o presidente da CET, Roberto Scaringella, foi dramático para justificar a necessidade da proteção aos motoqueiros: - Por dia, 1 motociclista vai para o cemitério na cidade e outros 25 para a UTI. Nesta conversa exclusiva com Terra Magazine, Scaringella reafirma que a segurança é prioridade na gestão de trânsito de São Paulo. Questionado qual opinião (daquelas, unânimes...) pesará mais para a definição sobre a continuidade ou não do corredor exclusivo, ele garante: - Sempre pesou e vai continuar pesando a segurança no trânsito. Então nós defendemos o primado da segurança sobre a fluidez. Mas esclarece que isso não significa que a decisão já esteja tomada. Muito pelo contrário. A avaliação, segundo o presidente da CET, só poderá ser feita na sexta-feira, quando o período de testes termina. Ao comentar os 10 anos do Código de Trânsito Brasileiro, Scaringella aproveita para criticar aquilo que "em boa parte", segundo ele, não saiu do papel. - Ele não foi implementado pelo governo federal - afirma. Leia a entrevista com o presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo: Terra Magazine - Motoqueiros aprovaram, motoristas reprovaram. Que opinião vai pesar na decisão sobre se o corredor continua ou não em operação? Roberto Scaringella - Sempre pesou e vai continuar pesando a segurança no trânsito. Então nós defendemos o primado da segurança sobre a fluidez. Por que estamos dando uma faixa para motos e tirando do carro? O que acontece é que nós não medimos a necessidade em termos de número de passageiros. O número de mortos na moto, que tem 9% da frota, é maior que o número de motos nos carros, ônibus e caminhões, que têm 91% da frota. Então o que está pesando aí é exclusivamente o conjunto de medidas de proteção à vida do motociclista. Mas a se considerar apenas essa questão da segurança, então o corredor deve continuar depois de sexta-feira? Eu não estou falando isso. Não há decisão. Nós estamos no segundo dia de testes. Estamos avaliando o teste. Não há avaliação, não há decisão, não há definição. Só na sexta-feira vai ser possível ter essa avaliação? Sim. Hoje o Código de Trânsito completa 10 anos, mas continua sendo muito desrespeitado. A CET está com propostas de aumentar a fiscalização? Nesses 10 anos, o Código de Trânsito, que significou teoricamente um avanço em termos de legislação em trânsito, em boa parte não saiu do papel. Ele não foi implementado pelo governo federal. Dando alguns exemplos: 90% dos municípios não se integrou ao Sistema Nacional de Trânsito (órgãos da União, Estados e municípios que normativam as questões de trânsito). O ministério da Educação não desenvolveu o conteúdo programático de educação em trânsito obrigatório nas escolas. A inspeção de segurança veicular também não saiu do papel. O Fundo Nacional de Segurança e Educação em Trânsito está praticamente inoperante, e é composto pelo dinheiro das multas de trânsito. E a gente também não conseguiu uma base estatística confiável da frota, do número de pessoas habilitadas e dos acidentes de trânsito. Nós temos uma base que não é suficientemente confiável. Havia também aquela idéia de aplicar multas para pedestres, que não foi regulamentada... Sim, isso faz parte da lei federal que não foi regulamentada. Uma série de itens não foi regulamentada e não saiu do papel. Terra Magazine

 


       

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