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15/03/2006 - : SEMÁFOROS EMBURRECEM
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Cidade
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Inteligentes? Semáforos emburreceram
Os equipamentos criados para dar fluidez ao trânsito da Capital não estão funcionando. Nem as câmeras de monitoramento. Atuando de maneira desordenada, acabam travando ainda mais o já complicado tráfego nas ruas e avenidas. Para especialistas, mesmo se eles funcionassem bem a situação continuaria caótica
MAURO MUG e
FABIANO RAMPAZZO
Semáforos inteligentes? Câmeras de monitoramento? O trânsito de São Paulo continua caótico e, o que é pior, os equipamentos que deveriam organizar a bagunça estão avariados. Dos 1.256 semáforos inteligentes dos principais cruzamentos da Cidade, 89% não funcionam como deveriam. E as câmeras? Das 149 filmadoras de monitoramento do trânsito, 66% estão quebradas. Como se não bastasse, para alguns especialistas, mesmo se tudo isso estivesse funcionando perfeitamente, o trânsito continuaria ruim na Capital.
“A empresa está falhando na tecnologia, não repõe as peças danificadas e tem que substituir os equipamentos por marronzinhos com apitos”, denuncia Luiz Antônio Queiroz, presidente do Sindiviário, sindicato que congrega os funcionários da CET. “Desde a administração de Celso Pitta, o sindicato vem denunciando a falta de manutenção dos equipamentos”, completa.
O excesso de veículos e as dificuldades da CET em monitorar o trânsito nos cruzamentos são os principais responsáveis pelos congestionamentos na cidade. “Na Avenida Pacaembu, fico parado em todos os semáforos”, disse Agnaldo Gutierres, 32 anos, auxiliar administrativo. Na Avenida Luis Dumont Villares, em Santana, Zona Norte, o motorista é obrigado a parar em três semáforos inteligentes seguidos. Na mesma avenida. Inteligentes?
“Realmente, a situação é crítica”, confirma o gerente de projetos da CET, Pedro Cury. “Devido à falta de recursos, há dez anos que a CET faz apenas manutenção básica, como a troca de lâmpadas queimadas dos semáforos”.
Os semáforos inteligentes, criados em 1994 para ajudar a controlar o trânsito em tempo real, funcionam com sensores instalados sob o asfalto, próximos aos cruzamentos, que medem a demanda de veículos da via. Mas muitos sensores são rompidos pelo tempo de uso, recapeamentos e até destruídos pelas concessionária ao fazer a abertura de valas. O rompimento de uma fiação ou a pane em um dos controladores provoca a paralisação dessas análises em tempo real e os semáforos passam a funcionar com base em programações fixas, construídas nas médias históricas de demanda, que não refletem a realidade de momento do trânsito. Daí as grandes lentidões e congestionamentos.
Para o engenheiro Ivan Whately, coordenador de Transporte Metropolitano do Instituto de Engenharia (IE), o mau funcionamento dos semáforos não é o principal responsável pelos congestionamentos. “Mesmo funcionando a contento, os semáforos inteligentes melhoram a fluidez do tráfego em apenas 5%. O problema é que as vias da cidade chegaram ao nível de saturação”, disse.
O ex-secretário de Transportes nas administrações Mário Covas, Paulo Maluf e Celso Pitta, Getúlio Hanashiro, lembrou que quando os semáforos inteligentes foram instalados, em 1994, previa-se uma ganho de 10 a 15% na fluidez do tráfego. “Com o passar dos anos, o sistema viário não cresceu tanto quanto a frota de veículos. Hoje, são licenciados pelos menos 500 veículos por dia.”
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